A toxina botulínica é uma opção terapêutica a ser considerada em casos de fissura anal em que os doentes são refratários ou intolerantes a outros tratamentos tópicos (Anotrit).
O seu mecanismo de ação envolve uma paralisia temporária do músculo esfíncter anal interno, levando a uma redução da sua hipertonicidade .
Há um relaxamento do músculo, que leva a uma diminuição da pressão e da dor , facilitando a cicatrização da fissura em cerca de 60% dos casos.
Os efeitos terapêuticos da toxina botulínica duram cerca de 3-4 meses, sendo que os sintomas recidivam em até 40% dos casos.
Os seus principais efeitos colaterais incluem equimose no local da injeção e incontinência gasosa (18%) e fecal (0-5%) geralmente de forma transitória.
No entanto, em comparação com a cirurgia , a toxina botulínica tem uma taxa de cicatrização da fissura inferior e uma taxa de recidiva mais alta.
Em casos de fissura anal de difícil cicatrização há quem associe a toxina botulínica à aplicação tópica de cremes.
A sua aplicação pode ser feita no consultório, sem a necessidade de sedação, e é geralmente bem tolerada pelos doentes.
Uma grande limitação no seu uso é o seu custo , uma vez que é uma terapia dispendiosa em comparação com os medicamentos de aplicação tópica, não sendo comparticipada pelos sistemas de saúde.
A decisão do tratamento mais adequado será sempre tomada pelo seu médico .